Poema: "O Agregado e o Operário"
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BRAZILIAN ORAL POET (1909-2002)
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O LUAR DO SERTÃO MOONLIGHT IN THE SERTÃO LUIZ GONZAGA & MILTON NASCIMENTO LYRICS IN ENGLISH
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Antônio Gonçalves
da Silva, popularly
known as Patativa
do Assaré, born in
Serra de Santana in
the Northeast State
of Ceará, is a
popular Brazilian
oral poet, improviser
of oral verse,
composer, singer,
and guitar player.
Born into extreme
poverty, he began
working at a young
age on his family's
small plot of land.
With just six months
of formal education
when he learned to
read and write,
Patativa composed
and memorized his
poems while working
on the land, then
later put them in
writing.
National fame came
in 1964 when the
popular Northeast
singer, Luiz
Gonzaga, recorded
his poem "A Triste
Partida" (Sad
Departure).
In spite of his fame,
he never stopped
working on the land
and never left his
hometown.
Patativa not only
gave voice to the
Northeastern peasants and
agricultural workers, but
also to the disadvantaged,
marginalized, and
oppressed.
Sou matuto do Nordeste
criado dentro da mata
caboclo cabra da peste
poeta cabeça chata
por ser poeta roceiro
eu sempre fui companheiro
da dor, da mágoa e do pranto
por isto, por minha vez
vou falar para vocês
o que é que eu sou e o que canto.
Sou poeta agricultor
do interior do Ceará
a desdita, o pranto e a dor
canto aqui e canto acolá
sou amigo do operário
que ganha um pobre salário
e do mendigo indigente
e canto com emoção
o meu querido sertão
e a vida de sua gente.
Procurando resolver
um espinhoso problema
eu procure defender
no meu modesto poema
que a santa verdade encerra
os camponeses sem terra
que o céu deste Brasil cobre
e as famílias da cidade
que sofrem necessidade
morando no bairro pobre.
Vão no mesmo itinerário
sofrendo a mesma opressão
nas cidades, o operário
e o camponês no sertão
embora um do outro ausente
o que um sente o outro sente
se queimam na mesma brasa
e vivem na mesma Guerra
os agregados sem terra
e os operários sem casa.
Operário da cidade
se você sofre bastante
a mesma necessidade
sofre o seu irmão distante
levando vida grosseira
sem direito de carteira
seu fracasso continua
é grande martírio aquele
a sua sorte é a dele
e a sorte dele é a sua.
Disto eu já vivo ciente
se na cidade o operário
trabalha constantemente
por um pequeno salário
lá nos campos o agregado
se encontra subordinado
sob o jugo do patrão
padecendo vida amarga
tal qual burro de carga
debaixo da sujeição.
Camponeses meus irmãos
e operários da cidade
é preciso dar as mãos
cheios de fraternidade
em favor de cada um
formar um corpo comum
praciano e camponês
pois só com esta aliança
a estrela da bonança
brilhará para vocês.
Uns com os outros se entendendo
esclarecendo as razões
e todos juntos fazendo
suas reivindicações
por uma democracia
de direito e garantia
lutando de mais a mais
são estes os belos planos
pois nos direitos humanos
nós todos somos iguais.
O Agregado e o Operário by Patativa do Assaré
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SOURCE: PATATIVA DO ASSARÉ: DIGO E NÃO PEÇO SEGREDO,
ESCRITURAS EDITORA, SÃO PAULO, BRAZIL, 2001.
SEE ENGLISH VERSION "THE PEASANT FARMER AND THE CITY
WORKER," TRANSLATION BY ROSALIENE BACCHUS